Esta semana foi notícia a decisão da Tor e da Forge, importantes editoras norte-americanas de títulos de ficção científica e de fantasia, de abandonarem o DRM nos ebooks a publicar a partir do mês de julho.
O DRM é o sistema anticópia mais utilizado pelos editores de conteúdos digitais e tem conhecido, nos últimos tempos, uma forte oposição, tanto por parte dos leitores, como, mais recentemente, por parte dos próprios autores. Criado como forma de combater a pirataria, o DRM falha absolutamente no seu principal objetivo e prejudica apenas os pagantes de conteúdos, criando obstáculos ao usufruto dos mesmos.
A decisão da Tor/Forge, não sendo inédita (são já muitas as pequenas editoras, mesmo em Portugal, que comercializam os seus ebooks sem DRM), tem o peso de ser a primeira grande editora a romper com o padrão atual de proteção dos direitos de autor, pelo que não será de estranhar que muitas lhe sigam o exemplo.
Talvez o Dia Internacional contra o DRM, que se comemora no final da próxima semana, esteja em vias de perder o seu significado.

Abr 27, 2012 @ 15:49:42
Sem querer avançar qualquer comentário sobre a questão do uso de DRM, que é um assunto mais complexo do que o que parece, gostaria apenas de referir que, apesar do conceito de “grande” ser relativo, nos EUA existem 6 editoras que dominam mais de metade do mercado, sendo que nenhuma das referidas no post faz parte deste grupo (Hachette, Harper Collins, Macmillan, Penguin, Random House e Simon & Schuster). Por esse motivo, talvez seja precoce falar do abandono do DRM.
Abr 27, 2012 @ 16:46:08
Obrigado pelo seu comentário, Rui.
A Tor/Forge faz precisamente parte de uma das grandes que refere (a Macmilllan), daí que esta decisão não deixará de ter impacto.
Pessoalmente acredito que o sistema atual de DRM está condenado ao fracasso: não protege os autores, não cumpre a sua função (há dezenas de programas gratuitos na internet que com apenas um clique quebram todas as proteções DRM), encarece o produto e penaliza os cumpridores, ao dificultar o acesso ao conteúdo.
Mas tem razão em que a questão é complexa; vamos ver como reage o mercado à decisão da Tor/Forge.
Abr 27, 2012 @ 22:46:18
Caro Carlos, na minha opinião, o facto de um grupo editorial como a Macmillan permitir que uma das suas marcas assuma uma posição deste tipo sobre o DRM sem que o grupo (ou uma das suas marcas mais representativas) adapte uma posição similar diz muito sobre aquilo que a indústria do livro pensa sobre o assunto. Aproveito para acrescentar que aquilo que se denomina DRM se traduz em diferentes modos de limitar a cópia não autorizada, que é um crime de acordo com, por exemplo, a legislação portuguesa.
O facto de existirem fechaduras robustas ou portas de segurança nas nossas casas não impede que algumas sejam assaltadas, mas isso não implica que as deixemos abertas ou abdiquemos de limitar as possibidades de serem roubadas. O mesmo se passa com os editores e com as publicações em que investiram.
Abr 28, 2012 @ 01:08:22
Rui, penso que a Macmillan estará a testar a reação do mercado, e a escolha desta chancela não terá sido por acaso.
Estamos de acordo na necessidade de limitar a cópia não autorizada, mas não acho que os atuais sistemas de DRM sejam eficazes nesse desiderato. A indústria tem de se esforçar mais em encontrar ferramentas que lhes permitam proteger os seus conteúdos mas que não obriguem o consumidor, por exemplo, a contratar serviços de terceiros e a fornecer dados pessoais para aceder a bens culturais legitimamente adquiridos.