De acordo com a Nielsen, os adolescentes foram o segmento que mais cresceu em termos de posse de um smartphone. Quase três em cada cinco jovens entre os 13 e os 17 anos (58%) têm um smarthpone, enquanto há um ano essa percentagem era de apenas 36%.
Desconhecem-se números para Portugal, mas não deverão andar longe da realidade, tendo em conta a baixa de preços dos aparelhos no último ano e as campanhas das várias operadoras de redes móveis.
Em termos de sistema operativo, há um claro predomínio do Android, seguido do iOS, sendo que ambos dominam quase 90% do mercado (aguarda-se com expectativa o desempenho do Windows Phone 8, que equipa os recentemente lançados Nokia Lumia 820 e 920):

O Android aumentou a quota de mercado nos últimos 3 meses, certamente devido a um abrandamento das vendas do iPhone (iOS) (talvez porque os consumidores estão à espera do novo modelo que precisamente apresentado hoje), mas também porque o crescimento do SO Android se tem feito sobretudo graças ao sucesso das vendas de smartphones de baixo preço, mercado onde o iOS não compete.
O sucesso dos smartphones está diretamente ligado à crescente oferta de aplicações para os mais distintos fins (mais de 40 mil milhões de downloads previstos para este ano), a maioria delas gratuita (89%).
A futuro da leitura digital, seja qual for o caminha que esta venha a trilhar, irá passar necessariamente por estes dispositivos, realidade que os produtores nacionais de conteúdos tardam a descobrir.

Set 12, 2012 @ 22:40:06
Olá Carlos, boa noite. Sendo o “bota abaixo” um desporto nacional, é certamente muito “popular” denegrir o trabalho que os produtores nacionais têm realizado neste âmbito, mas é igualmente uma “inverdade” dizer que “tardam em descobrir” o que quer que seja nesta área. Conforme compreenderá, ninguém mais do que esses agentes está atento ao que vai acontecendo e se esforça por criar projectos sustentáveis. Só que criar projectos sustentáveis no actual contexto económico é particularmente difícil – excepto para quem comenta e nunca investiu esforço ou dinheiro em quantidades significativas – e “fazer acontecer” coisas com “pés e cabeça” (em lugar de falar sobre o assunto no FB) leva tempo. Lamento esta “chamada de atenção” porque sou um leitor assíduo deste seu blog e reconheço nele uma visão lúcida e informada sobre esta temática.
Set 12, 2012 @ 23:20:08
Obrigado pelo seu comentário, Rui.
A minha afirmação resulta sobretudo das dificuldades com que me deparo como consumidor de conteúdos. Por exemplo, dos mais de 20 ebooks portugueses que adquiri este ano, mais de metade apenas estavam disponíveis em pdf, o que dificulta imenso a sua leitura em smartphones. Converter ebooks em ePub não é dispendioso nem exige grandes investimentos, e seria revelador de uma maior atenção ao mercado.
A maioria da web nacional não tem versões para dispositivos móveis (embora reconheça que, sobretudo no último ano, o panorama melhorou muito) e continuam a surgir projetos na web, alguns financiados por fundos públicos, que utilizam tecnologia incompatível com grande parte dos smartphones (sobretudo os iOS).
Set 12, 2012 @ 23:40:57
Percebo a perspectiva Carlos e agradeço o “Fair play”. Estou em crer que parte da oferta de ebooks em PDF resulta desse ser um formato genericamente aceitável para obras mais antigas e/ou cujas expectativas de venda são baixas (e se é verdade que converter uma obra em ePub não é dispendioso, o mesmo não se pode dizer de centenas ou milhares, certo? É preciso fazer opções.)
Quanto às tecnologias proprietárias usadas na web, não conheço nenhuma empresa portuguesa que deliberadamente queira trabalhar com algo proprietário (de terceiros, claro!) só porque é “proprietário”.
Mas a realidade do mercado impõe-se muitas vezes ao que julgamos ser melhor ou mais aconselhável, e a adopção de tecnologias proprietárias resulta da predominância das mesmas, quer ao nível do suporte de devices/SOs quer ao nível dos RH capazes de produzir com elas, o que as torna incontornáveis, especialmente num mercado de reduzidas dimensões como o português – regra geral, existem mais pessoas aptas a trabalhar nessas tecnologias do que nas demais, existe mais informação, melhor time-to-market, etc., etc.