Quando, em 1870, Eça de Queiróz e Ramalho Ortigão iniciaram a publicação de O Mistério da Estrada de Sintra  no Diário de Notícias, estavam a seguir o que na altura era já uma prática comum. e de sucesso,  na Europa: a publicação de romances  sob a forma de folhetim. Dez anos antes, Charles Dickens publicara, no All the Year Round, ao longo de mais de meio ano, o seu Grandes Esperanças, que o tornou o autor mais famoso da sua época e uma espécie de pop star do século XIX.

Se bem que nunca tenha desaparecido totalmente, a publicação de folhetins caiu de alguma forma em desuso. Contudo, a era digital parece disposta a recuperar uma prática que oferece algumas vantagens para escritores, editores e leitores.

A Amazon já há algum tempo que oferece os seus Kindle Serials, histórias em capítulos que os subscritores recebem no seu e-reader cada vez que é publicado um novo episódio.

O sucesso da iniciativa da Amazon levou Jennifer 8. Lee, uma ex-repórter do The New York Times, a lançar, no mês passado, o  Plympton, um “estúdio literario”  de criação de romances em folhetins, que são depois distribuídos via Kindle Serials.

Os três primeiros títulos já estão disponíveis, e constam de 4 a 6 fascículos cada.  ‘Hacker Mom’, por exemplo, lançado a 6 de setembro por 1,99 dólares, tinha 32 páginas, e recebeu o segundo fascículo no início deste mês com mais 36 páginas. O comprador recebe um email avisar quando se encontra disponível um novo capítulo, embora nos pareça que um mês entre fascículos é demasiado tempo (entre uma e duas semanas seria mais razoável).

Via Sin Tinta

 

 

 

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