
Jakob Nielsen voltou hoje a abordar a questão da leitura em ecrã e chegou a algumas conclusões interessantes, nomeadamente ao nível da compreensão leitora.
Num teste realizado por R. I. Singh da Universidade de Alberta, foi pedido a 50 voluntários que lessem as políticas de privacidade de 10 websites muito conhecidos: eBay, Facebook, Google, Microsoft, Myspace, Orkut, Wikipedia, WindowsLive, Yahoo!, eYouTube. O grupo de 50 foi dividido em dois, sendo que um grupo leu num ecrã de computador e o outro leu num ecrã tipo iPhone. Depois foi testada a compreensão de cada um dos grupos em relação aos documentos lidos, e a compreensão leitora do segundo grupo foi cerca de metade da do primeiro grupo :
- Ecrã tipo desktop : compreensão 39.18%
- Ecrã tipo telemóvel: compreensão 18.93%
Ora estes resultados são tão mais importantes quanto os produtores de conteúdo parecem considerar que basta produzir uma aplicação adaptada ao tamanho do ecrã para que o acesso ao conteúdo se faça em condições semelhantes ao de qualquer outra plataforma. E numa altura em que começam a aparecer cada vez mais conteúdos educativos para dispositivos móveis, esta é uma questão que não nos pode deixar indiferentes.

Mar 01, 2011 @ 15:28:32
Sim, é uma questão muito pertinente e que coloca em evidência que o suporte interessa. Há pouco tempo li, não me recordo onde (se calhar foi neste blog?!), que numa comparação entre ler um livro impresso ou ler um livro num eReader, existiam diferenças na retenção da informação. Uma pessoa retinha com mais facilidade a informação lida num livro impresso do que a informação lida num eReader…. e a verdade é que, no meu caso pessoal, sinto mais necessidade de voltar atrás na leitura no meu eReader, para me relembrar onde ia, do que me acontece quando leio em papel (mas também já pode ser da idade…;P).
Mar 01, 2011 @ 16:18:16
Obrigado pelo seu comentário e testemunho, Ana.
Sim, deverá ter sido aqui que leu. Poderá também ser um problema geracional, pois o nosso cérebro durante décadas apenas conviveu com a palavra impressa em suportes físicos, e, apesar da sua plasticidade, ainda não se terá adaptado aos novos suportes.
Mar 01, 2011 @ 23:45:16
Sim, foi isso. Em relação ao resto, concordo. Cumps.
Mar 01, 2011 @ 16:56:43
Nem todos os produtores de conteúdo têm uma visão simplista das implicações da dimensão, resolução, número de cores, etc. – as generalizações são perigosas e particularmente injustas para quem aborda estas questões com seriedade. De facto, é necessário identificar o contexto do uso (que inclui a questão da dimensão do ecrã mas de forma alguma se esgota nesse item) para seleccionar as operações, a informação e o tipo de media que se disponibiliza/veicula. Factores como o ruído em torno do utilizador, o tempo médio de utilização (em casa, em trânsito e noutros cenários), as diferentes predisposições para ver/ouvir ou simplesmente escutar, bem como muitas outros fazem parte das preocupações de quem é profissional desta área. Obviamente, o nível de costumização depende igualmente da amplitude da população alvo e, claro, do orçamento do projeto. E isso pode ditar muitas das aparentes contradições.
Mar 01, 2011 @ 17:30:31
Obrigado, Rui, pelo comentário e opinião esclarecida.
Obviamente que não se pode generalizar e há boas excepções, mesmo em Portugal. Contudo, pelo que me é dado ver, trata-se mesmo de excepções. Veja-se o caso das apps da Apple: o que é bom para iPhone, também serve para iPad, e vice-versa.
Mas penso que a situação tenderá a mudar, pois cada vez mais o acesso se faz a partir de dispositivos móveis com ecrãs de reduzida dimensão, e só terão sucesso os produtores que melhor adaptarem o conteúdo ao meio.