
"Imagine um mundo sem conhecimento livre". A página inglesa da Wikipédia explica a campanha, defendendo uma internet livre.
A versão inglesa da Wikipédia encontra-se hoje, quarta-feira, encerrada em protesto contra projetos de lei antipirataria em discussão nos Estados Unidos.
Conhecidos como SOPA e PIPA (iniciais da sua designação oficial – “Stop Online Piracy Act” e “Protect Intellectual Property Act”), os projetos de lei são sobretudo apoiados pelos maiores grupos e empresas dependentes de direitos de autor, como a Motion Picture Association of America, a Recording Industry Association of America, a Sony Pictures Entertainment e a Time Warner, entre outras. Contra os projetos estão as empresas da Internet como o Facebook, Twitter, Google, Yahoo, LinkedIn, Mozilla, Wikimedia, Zynga, Amazon e eBay e também organizações de direitos humanos, como Repórteres Sem Fronteiras e Human Rights Watch.
Milhares de sites associaram-se ao protesto (o Google americano, por exemplo, apresenta a mensagem “Diga ao Congresso: por favor, não censure a web”, com um link para assinatura de uma petição contra os projetos de lei), mas a iniciativa mais visível até agora foi esta protagonizado pela Wikipédia, de encerrar o seu site inglês durante 24 horas.
Lembramos que se esta legislação for aprovada, as empresas criadoras de conteúdos podem, com relativa facilidade, obter do tribunal uma ordem para obrigar os portais ou redes sociais que alojam sites com conteúdo não autorizado a removerem esse conteúdo, e até motores de busca, como o Google, ficam obrigados a não apresentar links para sites fora dos EUA com conteúdos piratas, sob pena de encerramento da página ou até cinco anos de prisão para os prevaricadores.

Jan 18, 2012 @ 12:31:17
Não conheço os termos exactos desta proposta de lei e, como tal, não sei se estou “a favor”. Mas partilho da ideia de que é preciso fazer algo que minimize a usurpação da propriedade intelectual alheia. A atitude da maioria destas empresas que agora protestam, alegadamente, em nome da “liberdade” e do “interesse público” construíram os seus modelos de negócio sobre o cadáver dos direitos de autor de terceiros e têm sido coniventes com a situação de total impunidade por isso lhes ser conveniente (tráfego é igual a eyeballs, eyeballs resultam em venda de publicidade ou, no mínimo, criação de bases de dados de utilizadores, gostos, hábitos, etc. para vender mais publicidade). De entidades como a Google, esperava ver algo de construtivo sobre este tipo de leis e não uma mera separação entre bons e maus, liberdade versus restrição, que é redutora e nos afasta do que efectivamente interessa discutir.
Jan 18, 2012 @ 12:47:22
É verdade, Rui, a tendência costuma ser um extremar de posições que raramente deixa espaço ao bom senso. O argumento dos “contra” de defesa da liberdade do conhecimento facilmente ganha adeptos na rede, mas não podemos deixar sob a capa da liberdade se oculte a irresponsabilidade de muitas dessas grandes empresas de alojamento de conteúdos face à violação clara e sistemática dos direitos de autor, ao mesmo tempo que faturam milhões em publicidade.
Em Portugal a discussão das alterações à Lei da Cópia Privada está igualmente inquinada, e caminha-se para a aprovação de uma lei em que a falta de bom senso acabará produzir resultados opostos ao que seria o objetivo do legislador.