flA Feira do Livro de Lisboa abre hoje as suas portas no parque Eduardo VII, com um vasto programa de atividades, no qual, mais uma vez, o digital não faz parte das preocupações dos organizadores. Depois de algumas tímidas iniciativas na feira de há dois anos, adivinhava-se que os ebooks ganhassem progressivamente alguma relevância naquela que é a principal montra do livro em Portugal. Mas não tem sido assim. O próprio vice-presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Pedro Pereira da Silva, afirma que «Os livros digitais têm ainda um mercado muito, muito reduzido. Há muita gente a aderir. Mas não tanto que faça uma diferença relativamente ao livro físico [em papel]».

A verdade é que o mercado se faz com a oferta de produtos, e em Portugal o panorama é desolador: várias editoras com um catálogo vastíssimo e sem um único título em formato digital, títulos recentes com versões apenas em papel, apesar de a editora disponibilizar também ebooks, pdf de fraca qualidade quase ao preço dos exemplares físicos, ausência de estratégias de promoção do ebook, etc.

A Feira do Livro poderia ser o local de eleição para ajudar a modificar este statu quo, com iniciativas muitos simples e pouco dispendiosas, de que aqui deixo graciosamente alguns exemplos: disponibilizar nos stands códigos QR para aquisição em ebook dos livros em destaque, oferecer vales de desconto na aquisição de ebooks a quem adquirisse um determinado conjunto de livros, um tablet ou e-reader em cada stand para demonstração, disponibilizar, na página da feira, o ebook do dia, organizar no auditório sessões com especialistas na área, etc.

É claro que quem precisa mesmo de um determinado ebook, há, para lá das fronteiras físicas, excelentes lojas online onde se encontra de tudo. Mas essa opção é consequência e não causa do tal «mercado muito, muito reduzido».

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