leripadNum interessante artigo publicado no Digital Book World, Beth Bacon analisa os resultados do estudo Children’s on-screen reading overtakes reading in print que o National Literacy Trust  do Reino Unido publicou no mês passado, e onde se faz a seguinte afirmação:

«Pela primeira vez as crianças estão a ler mais em computadores e noutros dispositivos eletrónicos do que a ler livros, revistas, jornais e banda desenhada. Isto é potencialmente prejudicial para os níveis de leitura das crianças, pois as que leem diariamente em ecrã são menos propensas a ser bons leitores que aquelas que leem livros impressos.»

Bacon desmonta a relação direta que o estudo estabelece entre o tipo de suporte usado e as capacidades leitoras, afirmando que a única coisa que fica provada é que crianças que são boas leitoras leem tudo, desde pacotes de cereais a jornais abandonados nas mesas dos cafés, e tanto digital como impresso, e toda esta leitura torna-as leitoras mais proficientes. Mas isto não prova que os ebooks conduzem a  níveis inferiores de leitura. O facto de os leitores que estão acima da média lerem mais livros impressos que os que se encontram abaixo da média não significa que os os livros digitais contribuam para menores níveis de leitura.

Concordo com a autora do artigo. Num estudo realizado no âmbito do projeto «Sintra e-conteúdos», junto de 200 crianças dos 9 aos 14 anos, que tiveram contacto semanal com leitura de ebooks ao longo do letivo 2011/12, e que já aqui citámos, demonstrou-se que os bons leitores (que leem todos os dias ou quase todos os dias) continuam a preferir os formatos impressos, mas os não-leitores (crianças que raramente ou nunca leem) passaram a ler mais com os suportes digitais. Isto é, os ebooks poderão criar leitores e melhorar os níveis de leitura em crianças que de outro modo continuariam não-leitoras.

Assim, o que é essencial é oferecer às crianças livros em suportes diversificados (papel, e-readers, tablets, smartphones….) e diferentes tipos de leitura (livros e ebooks tradicionais, multimédia, interativos, livros-jogo) e criar contextos de leitura ricos e adaptados aos interesses das crianças e à forma preferencial como consomem informação.