“Malware”, a nova arma contra a pirataria de books?

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small__3321595771A pirataria de ebooks é um dos principais problemas que a indústria editorial enfrenta na sua transição para o digital. Sistemas como o DRM estão longe de cumprir eficazmente o seu papel e são cada vez mais postos em causa tantos pelos leitores, como pelos editores e autores.

Michael Kozlowski anunciou esta semana que a nova arma da indústria editorial americana (onde ebooks representam já praticamente um quarto da faturação total) contra a pirataria de ebooks  poderá ser o malware (palavra proveniente do inglês “malicious software” e que designa um software que, de forma ilícita, se infiltra num sistema de computador alheio, com o intuito de causar algum dano ou roubar de informações).

De acordo com um relatório da Commission on the Theft of American Intellectual Property, citado por Kozlowski, os ebooks adquiridos  virão “equipados”  com malware que deteta quando o livro é pirateado, desencadeando a partir daí uma série de ações que podem incluir impossibilitar o acesso ao ficheiro do ebook ou bloquear o acesso ao computador ou dispositivo de leitura, apresentando simultaneamente instruções sobre como contactar as forças da lei para obter uma chave de desbloqueio. O mesmo relatório avança que esta prática é legal, pelo menos nos EUA, e não viola qualquer lei de utilização da Internet.

Será este o novo DRM para publicações digitais? Os consumidores estarão dispostos a adquirir um produto com software capaz de danificar o seu sistema? E quanto tempo demorará a disponibilização na rede de “vacinas” para este tipo de malware?
photo credit: Sophos D/A/CH Presseinfo via photopin cc

Como o “blackout” de quarta-feira influenciou o Congresso americano na lei antipirataria

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Esta imagem produzida pelo Propublica demonstra como o “blackout”  da Internet na passada quarta-feira, de que ação mais visível foi o encerramento da Wikipédia por 24 horas, foi determinante no modificação da base de apoio aos projetos de lei SOPA/PIPA por parte dos congressistas norte-americanos, tornando quase certa a não aprovação da lei antipirataria nos EUA, pelo menos nos termos enunciados.

Wikipédia encerrada em protesto contra lei antipirataria

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"Imagine um mundo sem conhecimento livre". A página inglesa da Wikipédia explica a campanha, defendendo uma internet livre.

A versão inglesa da Wikipédia encontra-se hoje, quarta-feira, encerrada em  protesto contra projetos de lei antipirataria  em discussão nos Estados Unidos.

Conhecidos como SOPA e PIPA (iniciais da sua designação oficial – “Stop Online Piracy Act” e “Protect Intellectual Property Act”), os projetos de lei são sobretudo apoiados pelos maiores grupos e empresas dependentes de direitos de autor, como a Motion Picture Association of America, a Recording Industry Association of America, a Sony Pictures Entertainment e a Time Warner, entre outras.  Contra os projetos estão as empresas da Internet como o Facebook, Twitter, Google, Yahoo, LinkedIn, Mozilla, Wikimedia, Zynga, Amazon e eBay e também organizações de direitos humanos, como Repórteres Sem Fronteiras e Human Rights Watch.

Milhares de sites associaram-se ao protesto (o Google americano, por exemplo, apresenta a mensagem  “Diga ao Congresso: por favor, não censure a web”, com um link para assinatura de uma petição contra os projetos de lei), mas a iniciativa mais visível até agora foi esta protagonizado pela Wikipédia, de encerrar o seu site inglês durante 24 horas.

Lembramos que se esta legislação for aprovada, as empresas criadoras de conteúdos podem, com relativa facilidade, obter do tribunal uma ordem  para obrigar os portais ou redes sociais que alojam sites com conteúdo não autorizado a removerem esse conteúdo, e até motores de busca, como o Google, ficam obrigados a não apresentar links para sites fora dos EUA com conteúdos piratas, sob pena de encerramento da página ou até cinco anos de prisão para os prevaricadores.