O poema Blanco, da autoria do prémio Nobel da literatura Octavio Paz, é um exemplo de como as novas tecnologias abrem novos caminhos à literatura, neste caso a poesia.

A conceção da aplicação partiu de uma ideia original do próprio poeta, como «uma sucessão de signos sobre una página única; à medida que avança la leitura, a página desdobra-se: um espaço que no seu movimento deixa aparecer o texto e que, de certo modo, o produz».

A aplicação, distribuída gratuitamente, inclui a edição facsimilada do texto, com notas manuscritas do poeta mexicano, correspondência, dedicatórias, anotações e correções que dão conta do processo de criação do poema. Apresenta também um exercício pictórico realizado pelo artista Adja Yunkers a partir da obra.

Por outro lado, o poema pode ser lido integralmente ou acompanhando a leitura do próprio Octavio Paz, Eduardo Lizalde e Guillermo Sheridan, de forma linear ou de forma separada, dado que algumas partes foram concebidas pelo autor como poemas independentes.

A aplicação inclui ainda um fragmento de uma sinfonia inédita escrita pelo compositor norte-americano Richard Cornell, versões traduzidas do poema em inglês e português (a cargo de Eliot Weinberger e Haroldo de Campos respetivamente), comentários em vídeo com entrevistas a críticos literários e fragmentos de homenagem ao poeta por ocasião do seu 81.º aniversário. A seleção do material esteve a cargo de Enrico Mario Santí, especialista na obra do autor de O labirinto da solidão.