Uma das conclusões mais interessantes do relatório PISA (Programme for International Student Assessmen) da OCDE sobre «Alunos on-line» (de que já falámos aqui), nomeadamente no que diz respeito à leitura on-line, é a inexistência de uma relação positiva directa entre a utilização do computador na escola e o desempenho dos alunos em leitura digital (em alguns países existe mesmo uma relação negativa). Já no caso da utilização do computador em casa, verifica-se uma relação positiva em todos os 17 países participantes no estudo. Isto é, os alunos que usam o computador em casa obtêm melhores resultados em leitura digital do que aqueles que usam o computador na escola (mesmo tendo em conta as variáveis socioeconómicas).
As razões apontadas para o impacto nulo da utilização do computador na escola são apenas suposições, e referem-se à provável utilização do computador sobretudo com alunos com dificuldades de aprendizagem ou serão talvez resultado de diferentes abordagens na forma de integrar o computador no currículo.
Penso que estas conclusões nos deveriam obrigar a reflectir na forma como os diferentes sistemas de ensino dos países da OCDE estão a introduzir tecnologia nas escolas. O fornecimento de computadores deveria ser acompanhado de adaptações curriculares, de um programa de literacia de informação transversal ao currículo e de avaliações de impacto na aprendizagem dos alunos.

