Leitura digital e uso do computador na escola

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Uma das conclusões mais interessantes do relatório PISA (Programme for International Student Assessmen) da OCDE sobre «Alunos on-line» (de que já falámos aqui), nomeadamente no que  diz respeito à leitura on-line, é a inexistência de uma relação positiva directa entre a utilização do computador na escola e o desempenho dos alunos em leitura digital (em alguns países existe mesmo uma relação negativa). Já no caso da utilização do computador em casa, verifica-se uma relação positiva em todos os 17 países participantes no estudo. Isto é, os alunos que usam o computador em casa obtêm melhores resultados em leitura digital do que aqueles que usam o computador na escola (mesmo tendo em conta as variáveis socioeconómicas).

As razões apontadas para o impacto nulo da utilização do computador na escola são apenas suposições, e referem-se à provável utilização do computador sobretudo com alunos com dificuldades de aprendizagem ou serão talvez resultado de diferentes abordagens na forma de integrar o computador no currículo.

Penso que estas conclusões nos deveriam obrigar a reflectir na forma como os diferentes sistemas de ensino dos países da OCDE estão a introduzir tecnologia nas escolas. O fornecimento de computadores deveria ser acompanhado de adaptações curriculares, de um programa de literacia de informação transversal ao currículo e de avaliações de impacto na aprendizagem dos alunos.

Relatório PISA sobre leitura digital

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Foi ontem apresentado em Paris o relatório PISA (Programme for International Student Assessmen) da OCDE sobre «Alunos on-line», no qual uma das competências avaliadas foi o desempenho dos alunos na leitura digital. Neste âmbito, o estudo abrangeu alunos de 19 países (Portugal não incluído). Os melhores resultados foram alcançados pelos alunos da Coreia, da Nova Zelândia e da Austrália. Macau também participou no estudo e obteve um resultado um pouco inferior à média da OCDE.

À semelhança da leitura tradicional, também na leitura digital os alunos do sexo feminino obtêm melhores resultados que os do sexo masculino.

No capítulo V, o relatório analisa a familiaridade dos alunos com as TIC, numa abordagem que já inclui Portugal. Aí podemos comprovar que cerca de 98% dos estudantes portugueses dispõem de computador em casa, valor que aumentou 41% entre 2000 e 2009. Os portugueses estão acima da média no uso da Internet em casa, mas abaixo da média no seu uso na escola, embora Portugal detenha uma das percentagens mais elevadas de alunos com acesso à Internet na escola.
Apenas 0,4 por cento dos cerca de 6200 alunos portugueses inquiridos pelo PISA indicaram que nunca usaram um computador e Portugal ocupa mesmo o primeiro lugar em percentagem de alunos que afirma poder realizar uma apresentação multimédia, “com som, fotografias e vídeo”, tendo registado uma duplicação deste indicador em relação a 2003, para uma percentagem (acima de 70) que mais do que triplica o valor médio dos países que participam no estudo.